Às vezes, temos a sensação de que o mundo está cada vez mais individualista, não é mesmo? O sentimento de pertencimento a uma comunidade parece se tornar mais raro a cada dia.

E a escola? Sendo um espaço coletivo e público por excelência, seria natural que promovesse experiências compartilhadas. No entanto, nem sempre isso acontece. Se a escola reforça o individualismo – nas relações, nas práticas e na forma como o conhecimento é construído –, como ela pode cumprir seu papel transformador?

O sentimento de solidão não afeta apenas os alunos, muitas vezes isolados em seus processos de aprendizagem. Ele também atravessa a experiência dos professores. Muitos planejam suas aulas sozinhos, atuam em várias escolas e, mesmo na presença dos alunos, podem se sentir solitários na convicção de que o ensino é uma tarefa exclusivamente sua.

Na Diálogos, acreditamos na força da companhia como um movimento contrário a essa lógica. Defendemos a criação de comunidades de aprendizagem, onde, mesmo que fisicamente distantes, possamos estar juntos na construção do conhecimento e da identidade de professor.

Júlia Formosinho, pesquisadora portuguesa, nos oferece um caminho potente por meio da Pedagogia-em-Participação, uma abordagem educativa que propõe uma escola mais relacional e colaborativa. Um dos conceitos centrais dessa abordagem é o de aprendizagem em companhia.

O que é a Aprendizagem em Companhia?

A ideia de aprendizagem em companhia, desenvolvida por Formosinho, desafia a visão tradicional de que o aprendizado acontece de forma isolada, como uma transferência de conhecimento do professor para o aluno. Em vez disso, propõe que o saber se constrói nas interações, em um processo dinâmico e coletivo.

Isso significa que a aprendizagem não ocorre apenas entre educador e aluno, mas também entre os próprios estudantes, no contato com o ambiente e na participação de diferentes agentes da comunidade escolar. O professor, por sua vez, não é apenas quem ensina, mas também quem aprende, atento às manifestações das crianças e disposto a construir sentido junto com elas.

A escola como espaço de Aprendizagem Compartilhada

Quando cultivamos a aprendizagem em companhia, fortalecemos não apenas a construção do conhecimento, mas também valores essenciais para uma sociedade menos individualista:

  • Pertencimento – O aprendizado deixa de ser uma experiência solitária e passa a ser um processo vivido coletivamente, em uma comunidade de aprendizagem, onde todos os saberes são importantes para a construção do comum.
  • Escuta e diálogo – O respeito às diferentes perspectivas e a busca pelo comum tornam-se parte essencial do processo educativo.
  • Colaboração – Professores e alunos aprendem a atuar juntos, compartilhando desafios e descobertas.

Se queremos uma escola que realmente transforme realidades, precisamos investir no poder do coletivo. Para isso, é fundamental criar espaços de troca entre educadores, fomentar práticas pedagógicas mais colaborativas e reconhecer que ninguém ensina ou aprende sozinho.

Afinal, educar é, acima de tudo, um ato de encontro.

Por Carolina Kerr

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